BRASIL, O PAÍS DO PRECONCEITO E DA TRANSFOBIA

BRASIL, O PAÍS DO PRECONCEITO E DA TRANSFOBIA

Mulheres transexuais convivem com o sofrimento diário provocado pelo profundo sentimento de inadequação, rejeição familiar, discriminações e dificuldades de inserção social. As pessoas transgêneros tem seus direitos negados e violados como cidadãs. A verdade é que a sociedade e o governo brasileiro são totalmente leigos e despreparados para discutir a transexualidade, para tratar o assunto, as pessoas simplesmente não entendem e não fazem nenhuma questão de entender nossa luta, entender quem somos, entenderem o sofrimento que a gente passa. O único direito que a gente tem é a nossa resistência, a nossa força de dizer: Existimos, resistimos e não vamos deixar de lutar pelo nosso espaço.
Somente neste ano 30 travestis e transexuais foram assassinadas no Brasil. ASSASSINADAS.
A crueldade e repercussão da morte de uma delas Dandara, gravada em vídeo que circula nas redes sociais que foi morta cruelmente a luz do dia por 4 homens a base da paulada e exterminada com tiros foi um verdadeiro massacre enquanto um outro lixo humano gravava, joga luz sobre o combate à transfobia. Em todo o país, grupos LGBT cobram do poder público a aprovação de projetos e políticas sociais que garantam os direitos dessa população marginalizada. O caso de Dandara também ganhou visibilidade internacional e atraiu para a periferia de Fortaleza equipes de TV e de jornais dos Estados Unidos e da Europa. A principal das lutas entre os militantes no Brasil é a criminalização e punição da transfobia e da homofobia, pois não existem leis para punir e deter esses monstros que se dizem gente e que se acham no direito de agredir e de matar seres humanos apenas pelo fato DE SEREM QUEM SÃO. Tudo isso é muito triste, mais precisa ser dito. A sociedade num geral precisa parar de nos apontar e nos crucificar. E isso vai desde das piadinhas sem graças que acontecem no carnaval como “Nesse carnaval não se engane” “carnaval está chegando… CUIDADO” essas piadas não tem graça nenhuma. E se você acha graça disso você contribui para o preconceito e o machismo. Além de sermos vítimas de piada, de deboche, de chacota, que infelizmente não é só no carnaval é o ano inteiro, o carnaval foi só um exemplo, nós não temos paz por exemplo pra
ir num mercado, numa padaria, numa loja porque sempre rola aqueles olhares e cochichos e a dúvida que ninguém faz questão de esconder “É homem ou é mulher?” E ficam te olhando, olhando e olhando… E o que era pra ser só mais uma ida ao mercado por exemplo se torna mais um pesadelo vivido de olhos abertos. O começo da transição é o mais difícil, pois é no começo que mais acontece isso, que mais somos vítimas de olhares e apontamentos. Definitivamente nós não temos paz. É como se fôssemos uma atração de circo em qualquer lugar que vamos E NÃO SOMOS. Queremos ser tratadas e poder viver nosso cotidiano como qualquer pessoa normal, sem ser centro de nada, sem ser apontada, sem comentáriozinhos, sem olhares.
Mas os meses vão passando, os anos passam… E muitas de nós nos tornamos “passáveis” que são as trans que ficam extremamente iguais fisicamente a mulheres cis (mulheres que já nasceram no sexo feminino) então o preconceito acaba diminuindo assustadoramente, os comentários, os olhares, as piadinhas… PUFF! Simplesmente somem!
E aí, muitas conseguem viver uma vida normal sem o julgamento abominável da sociedade. Mas e as que não conseguem se tornar “passáveis” as que são reconhecidas na sociedade como mulheres trans? O que fazem?! Não merecem vivem uma vida normal também? E as que conseguem se tornar passáveis, antes de se tornarem “aceitável” aos olhos da sociedade tem mesmo que enfrentar tudo isso? Passar por todo esse sofrimento? Nosso sofrimento já é tão grande, sofremos desde da nossa infância com o bullying na escola, com a falta de apoio e atenção a quem somos em casa e toda a confusão mental de não saber o que está acontecendo e não saber a quem pedir ajuda para se entender, se descobrir. O sofrimento continua na adolescência muitas vezes na escola, em casa, na vizinhança… E precisa mesmo durar até a vida adulta?! Precisamos morrer sendo torturadas a vida inteira pelas pessoas porque simplesmente não sabem respeitar as diferenças, não sabem respeitar quem somos. Pessoas essas que na grande maioria das vezes se dizem acreditar em Deus e esquecem de fazer jus um dos maiores mandamentos que ele nos deixou “Ame ao teu próximo como a ti mesmo.” Pedimos mais amor e menos dor. #PazParaViver

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Lavínia Alana tem 21 anos é dermopigmentadora de sobrancelhas, ariana, natural de Itajaí, Santa Catarina, tem se tornado uma ativista lutando pela visibilidade e direitos de pessoas transgênero.

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